“As pessoas com deficiência têm de planear deslocações com grande antecedência”. Lisboa pode ser mais acessível?

Sérgio Lopes e Diogo Martins, ativistas da City Able, mostram alguns dos obstáculos que pessoas com mobilidade reduzida enfrentam, neste caso no Saldanha [vídeo], onde convive o melhor e o pior que há em Lisboa em termos de acessibilidade.

Em frente ao Atrium Saldanha, numa das artérias principais da cidade, Diogo Martins aguarda à sombra pelo colega que tarda em chegar. A sustentar o corpo, tem um aparelho massivo, com mais de 200 kg: uma cadeira de rodas bem equipada, que lhe permite deslocar-se para todo o lado.

Passados alguns minutos, Diogo avista, ao longe, o companheiro. É Sérgio Lopes quem chega, também ele montado numa moderna cadeira de rodas. Desloca-se a grande velocidade em direção ao centro comercial, embalado pelo piso plano. Diogo e Sérgio cumprimentam-se: são amigos de longa data, colegas de trabalho e companheiros de luta.

A luta pela acessibilidade no espaço público tem moldado a vida de ambos nos últimos anos. Trabalharam em conjunto pela primeira vez no movimento (d)Eficientes Indignados, em 2012, que concretizou a primeira ação pública organizada das pessoas com deficiência pela reivindicação dos seus direitos. A partir daí, foi sempre a somar ao curriculum vitae. E a luta, que sempre tinha sido apenas voluntária, tornou-se uma missão profissional.

Através de várias associações e projetos, colaboraram diretamente com empresas de transporte público e entidades estatais – incluindo a Câmara de Lisboa, no projeto de acessibilidade pedonal, de adaptação da calçada portuguesa. Desta atividade, nasceu a vontade de criar um negócio novo, mas com um propósito político: a City Able, a primeira consultora privada para a acessibilidade.


As pessoas com deficiência no centro da discussão da mobilidade

“O Diogo foi desafiado e depois estendeu-me o desafio de criar a empresa”, lembra Sérgio Lopes. Tinham sido contactados pela consultora TIS, de transporte e inovação de sistemas, para ajudar com a recolha de dados para um projeto europeu que precisava de arranjar um grupo de pessoas para fazer um levantamento sobre a acessibilidade em Lisboa: o relatório Mapping Accessible Transport for Persons with Reduced Mobility[Mapeando o Transporte Acessível para Pessoas com Mobilidade Reduzida], com informações sobre o estado do transporte acessível em várias cidades da União Europeia. 

Diogo Martins é um ativista da luta pela acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e fundador, com Sérgio Lopes, da City Able, a primeira consultora privada para a acessibilidade. Foto: Líbia Florentino.

“O que nós fizemos nesse projeto foi, numa primeira fase, desenvolver [a metodologia] de recolha e seleção de informação”, e depois, numa segunda fase, “selecionar uma série de lugares em Lisboa e proceder à recolha com um grupo de pessoas com deficiência que recrutámos especificamente para este projeto. E que foram pagas para isso, que é um dos nossos princípios”, explica Diogo Martins.

Desse projeto, saíram as bases para a empresa e em janeiro de 2019 nasce a City Able, com a função de contribuir para o desenvolvimento de projetos que envolvam diretamente as pessoas com deficiência nas questões que a elas digam respeito, como a acessibilidade urbana ou o transporte público inclusivo. O objetivo é tornar os serviços, sejam eles de transporte, sociais ou culturais, mais acessíveis para todos.

Mas, afinal, o que são acessibilidades? Com uma cadeira de rodas, os passeios tornam-se mais atribulados, as calçadas mais íngremes, os obstáculos que podem ser facilmente contornados a pé tornam-se maiores. Isto, claro, se as ruas e edifícios não estiverem devidamente adaptados para pessoas com deficiência (não só pessoas com mobilidade reduzida, mas também cegas, por exemplo).

Por contraste, a acessibilidade é a qualidade do que é acessível. “É uma questão de adaptarmos o mundo à diversidade de necessidades que existem”, resume Diogo Martins.

No Saldanha, encontramos um tubo de ensaio para a acessibilidade. Uma amostra da cidade onde convivem, lado a lado, exemplos do melhor e do pior que se tem feito na adaptação das ruas em Lisboa.


Uma cidade, dois sistemas e o Saldanha como caso de estudo

Segundo os Censos de 2011, são mais de 293.989 (ou seja, mais de 7,07%) os lisboetas com mobilidade reduzida. Os dados incluem a população com dificuldade ou incapacidade em andar, subir degraus ou deslocar-se, com mais de 5 anos de idade.

Com tanta gente dentro desta franja invisibilizada, qual o aspeto da cidade para elas? O que já foi feito e o que falta fazer para construir uma cidade inclusiva? Para o olho treinado, a resposta está nas ruas. Do Atrium até à loja do cidadão no Saldanha, são apenas dois quarteirões de distância. Mas de um lugar para o outro, o cenário muda radicalmente.

Junto à Praça do Saldanha, Diogo e Sérgio conversam lado-a-lado na rua. As cadeiras deslocam-se sem problemas sobre os pisos planos, os passeios largos e as passadeiras adaptadas da área em volta da praça. Mas basta-lhes virar uma esquina, que tudo muda: o chão passa a ser de calçada portuguesa, pouco amigo da pessoa com deficiência, com pedras levantadas e obstáculos para contornar.

O problema maior surge junto ao destino, a loja do cidadão, a que Diogo quer aceder. Há um lugar de estacionamento para pessoas com deficiência, mas, paradoxalmente, não tem entrada rebaixada. O mesmo sucede no passeio junto à loja e os amigos ensaiam uma tentativa falhada de passar com as cadeiras de 200 kg por cima da pequena elevação – mas, como sabem, não serve de nada.

Acabam por subir mais ao lado, aproveitando uma entrada de garagem rebaixada. Quem passa, é despertado pela situação e solidariza-se, mesmo que não compreenda como deve ajudar.

– Quer que desvie a carrinha?

– Obrigado! Mas não é preciso, não é esse o problema.

– Será que se for por ali já dá?

– Não, desculpe, temos de ir à volta. Por toda a cidade, as intervenções municipais de adaptação de ruas são feitas a pensar em obstáculos e percursos individuais. Mas “se um lado está adaptado e o troço imediatamente a seguir já não, não serve”, porque um deslocamento exige continuidade, explica Diogo Martins. “As nossas cadeiras dão para estas aventuras. Uma pessoa que não tem isso, possivelmente desiste de vir.”


Desenhar cidades acessíveis “como uma mancha de azeite”

Sérgio Lopes, cofundador da City Able e ativista pela acessibilidade para pessoas com deficiência e ou mobilidade reduzida. Foto: Líbia Florentino.

Nos últimos anos, têm-se assistido a mudanças profundas na cidade. O país mudou e Lisboa esteve na linha da frente das cidades acessíveis. “Pode dizer-se que tem havido muita coisa, ou, pelo menos, iniciativa, projetos. Colocar em prática tem sido mais complicado. Os projetos são muito bons, mas depois quando se avança e se dá um passo na melhoria de um trajeto fica por aí e não se continua a espalhar na cidade toda”, alerta Sérgio Lopes.

Paula Teles é engenheira e presidente do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade (ICVM). Em conjunto com a associação Salvador, o instituto desenvolveu um estudo à acessibilidade nos municípios portugueses, que concluiu que 70% dos municípios portugueses nunca planeou condições de acessibilidade. Não é o caso de Lisboa, que tem um plano municipal e guidelines para as intervenções, mas o paradigma mantém-se.

“[Estes números] significam que continuamos no nosso país a utilizar os envelopes financeiros para fazer intervenções avulso. O que são intervenções avulso? Na acessibilidade, são aquelas que não permitem sistemas de continuidade”, explica Paula Teles.

“Se fizermos hoje a eliminação das barreiras num passeio, daqui a um ano rebaixamos uma passadeira noutro sítio, etc., estamos a fazer alterações para a acessibilidade que são relevantes, mas não estão planeadas para que possam de imediato ser utilizadas para uma deslocação para alguém que tenha problemas de mobilidade”, conclui.

A alternativa, explica a engenheira e professora de design for all (desenho universal), é pensar as cidades como uma mancha de azeite, que se alastra, de forma uniforme, do centro para a periferia. Uma visão holística e integrada, necessária à acessibilidade. “É preferível ter uma menor área de intervenção, mas garantir que essa área é acessível em pleno a pessoas com cadeiras de rodas, cegos, etc., e aumentá-la gradualmente, do que tomar várias medidas avulso em áreas separadas da cidade.”

design for all, um conjunto de princípios orientadores que engenheiros e técnicos devem utilizar para que os equipamentos possam ser usados por todos, é uma prática cada vez mais necessária, à medida que a população envelhece.   


Que progressos na acessibilidade em Lisboa?

Lisboa apresenta-se com circunstâncias muito melhores que outros municípios do país, um trabalho pelo qual Paula Teles se congratula. Braga, Porto e Vilamoura são exemplos de cidades acessíveis, com especial destaque para Vilamoura, fruto do grande fluxo de turismo sénior nos últimos anos. Já nas zonas rurais, as carências são enormes.

Na capital, o investimento maior, desde 2013, tem sido na acessibilidade pedonal, que inclui a adaptação de ruas e passeios e a criação de alternativas à calçada portuguesa. Mas “Lisboa não é só as Avenidas Novas, a Fontes Pereira de Melo, o Saldanha e a zona ribeirinha”, alerta a presidente do ICVM. É necessário expandir para a periferia. “Vemos muita coisa a acontecer, o que é bom, não considero que estejamos atrás de outras cidades (europeias). Está a evoluir, mas não tão rápido quanto queríamos. Tem de haver alguma aceleração no processo e tem de haver mais coragem para aplicar as mudanças”, afirma Sérgio Lopes.

Para garantir que os projetos de melhoramento da acessibilidade e de mobilidade inclusiva são bem feitos, é necessário incluir as pessoas com deficiência no processo e na conceção da metodologia, alertam os fundadores da City Able. Foto: Líbia Florentino.

A estratégia MOVE Lisboa 2030, da Câmara Municipal de Lisboa, para a mobilidade na cidade, expressa a vontade de continuar a evoluir no sentido da inclusão da pessoa com deficiência, mas de que forma e com que meios, não é claro.

Para garantir que os projetos são bem feitos, é necessário incluir as pessoas com deficiência no processo e na conceção da metodologia, alertam os fundadores da City Able. Até porque “as necessidades de uma pessoa com cadeira de rodas não são as mesmas de uma pessoa com bengala, ou de uma pessoa cega”, completa Diogo. É preciso escutar todos e deixá-los testar as águas, para garantir que não se desperdiça dinheiro em intervenções inúteis. A recolha de dados efetuada pela City Able para o relatório europeu Mapping Accessible Transport for Persons with Reduced Mobility concluiu que, na cidade, os problemas detetados mais frequentemente encontram-se nas zonas de transbordo ou de espera pelo transporte, poucas vezes adaptados para receber pessoas com mobilidade reduzida, e no acesso ao utilizador da cidade a dados sobre a acessibilidade de espaços públicos e estabelecimentos privados.


Andar de cadeira de rodas na cidade das sete colinas

Junto à loja do cidadão, Sérgio relata o trajeto para chegar até ao Saldanha. Veio “de cadeira” para evitar transtornos que pudessem surgir nos transportes – porque tem uma cadeira que lhe permite fazer isso.

Fez a Alameda pela estrada, pois a largura do passeio não lhe permite usá-lo. “Não é coragem nenhuma, é um risco. Se um dia houver um acidente, porque luto pelos meus direitos, questiono-me quem assumirá responsabilidade. Como é óbvio, a culpa não é do condutor se sou eu que estou na estrada, mas ali não há alternativa.”

“As pessoas com deficiência têm sempre de planear qualquer deslocação com grande antecedência”, diz. No comboio, um aviso de 24 horas de antecedência precede a viagem. Na carris, os autocarros em princípio estão preparados, mas problemas e avarias não são invulgares. Veterano da causa, Sérgio já chegou a fazer um protesto em frente a um autocarro noturno que lhe negou serviço.

A lei portuguesa garante o acesso pleno aos serviços em condições de acessibilidade, mas na prática nem sempre se cumpre. Falta fiscalização nos acessos planeados nas entradas a edifícios, públicos e privados.

Nos transportes, a aquisição de viaturas é feita pelas empresas transportadoras, de gestão privada. A lei obriga-as a comprar veículos com rampas e acessibilidade, mas estas nem sempre optam pelas melhores condições para suportar equipamentos modernos.


O que se separa a lei e a prática

“Por um lado, temos leis muito boas a respeito das acessibilidades em Portugal. Na compra de autocarros, é obrigatória a aquisição (em conformidade com as leis da acessibilidade), independentemente destes serem veículos novos ou velhos. O problema depois é a qualidade daquilo que vem instalado. Ou seja, as empresas não querem saber”, afirma Diogo. Quando os veículos chegam ao país, em segunda mão, “já vêm ultrapassado em termos tecnológicos e de acessibilidade.”

“A lei obriga a adaptar? Obriga. Se as pessoas tiverem o conhecimento e a consciência de que têm direito de aceder a qualquer lugar como qualquer outro cidadão, então têm e ponto. É só isso que precisam de saber”.

Sérgio Lopes

O que qualifica uma situação de discriminação pode parecer dúbio para quem está de fora, mas para Sérgio Lopes é claro: “A lei obriga a adaptar? Obriga. Se as pessoas tiverem o conhecimento e a consciência de que têm direito de aceder a qualquer lugar como qualquer outro cidadão, então têm e ponto. É só isso que precisam de saber”.

Por isso, a City Able quer contribuir para uma solução mais positiva e inclusiva, como muitas das que têm sido implementadas na cidade, focada nas vozes das pessoas com deficiência. E elas, defensoras da vida independente como Diogo e Sérgio, têm muito a dizer.

“Já pessoas antes de nós lutaram por isto. Hoje, lutamos nós. O que não queremos é que se continue a lutar amanhã”, diz Sérgio. “Não! Não queremos é que lutem pelo mesmo. Porque a sociedade evolui e nós evoluímos com ela”, completa Diogo. “O problema é daqui a vinte anos ainda estarmos a lutar pela mesma coisa. É isso que não queremos. Pela causa, a gente vai.”

por Luzia Lambuça

Luzia Lambuça é vilafranquense de coração e lisboeta por opção. É estudante de Ciências da Comunicação na FCSH-UL e está a estagiar na Mensagem de Lisboa. Este texto foi editado por Catarina Pires

in https://amensagem.pt/2021/08/31/pessoas-deficiencia-deslocacoes-lisboa-acessivel/

Lançamento do livro ESTAÇÃO em Alvarenga

“Uma noite entre família e Amigos!
Muito obrigada a todos que aqui estiveram, aos que me enviaram mensagens nas mais diversas plataformas, aos que me telefonaram e aos que estiveram espalhados pelo mundo, mas ligados a nós, via Streaming!
Obrigada ao Adelino Ribeiro e a todo o meu Staff do evento que coincidiu, em parte, com toda a minha família!
Obrigada à Junta de Freguesia, à Câmara Municipal de Arouca, à Banda Filarmónica de Alvarenga, a todos que nos ajudaram a preparar o CCA.
Obrigada ao José Agostinho Sousa e Olga Noronha pelo brilho que deram a este evento.
Obrigada à Idália Serrão, Fernando Ruas e Walter Manuel Cavaleiro Chicharro! Três Amigos que me deram o gosto de virem a Alvarenga para partilharem a Estação connosco.
Foi uma noite muito especial e que ficou no meu coração!”

Paula Teles



Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência 2021-2025

Foi publicada em Diário da República a Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência 2021-2025.

Este é um documento de orientação estratégica que cumpre as orientações nacionais e internacionais e determina o desenho de políticas públicas promotoras de:

+Autonomia

+Independência

+Inclusão

https://dre.pt/web/guest/home/-/dre/170514954/details/maximized

https://www.inr.pt/documents/11309/284924/ENIPD.pdf/5bce7969-0918-4013-b95d-2a5a35a870c5

Associação Salvador e ICVM anunciam resultados. 70% dos Municípios nunca planearam as condições de acessibilidade.

Depois de 20 anos de avaliação das condições de acessibilidade de forma empírica, a Associação Salvador e o Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade – ICVM lançaram um repto aos Municípios portugueses, através da criação de um inquérito, que pretendia estabelecer uma “radiografia” das acessibilidades e da forma como esta temática está incorporada nos processos e no dia-a-dia de cada município.

Os resultados revelam o Estado da Arte em Portugal, através das entidades que têm o papel mais importante na área das acessibilidades, as Câmaras Municipais. “Vivemos em pleno século XXI, num país desenvolvido e infelizmente ainda é esta a realidade com que nos deparamos.” – Salvador Mendes de Almeida, Presidente e fundador da Associação Salvador. De resto, Paula Teles, presidente do ICVM, continua a insistir que apenas desenhamos as cidades para 40% da população.

O inquérito foi lançado em Outubro de 2020, para todos os Municípios, em parceria com a Associação Nacional de Municípios Portugueses, que colaborou na sua divulgação. Os principais resultados foram os seguintes:

  • 70% nunca planearam as condições de acessibilidade (não fizeram o PLANO no âmbito do Projeto RAMPA – Regime de Apoio aos Municípios para as Acessibilidades ou os Planos de Promoção das Condições de Acessibilidade, projetos cofinanciados pelo Estado Português, entre 2009-2013, nem outro plano similar):
    • 95% dos inquiridos refere ter acesso ao Guia das acessibilidades de mobilidade para todos lançado em 2006 pelo Governo;
    • Dos que desenvolveram um plano, 60% não deram continuidade a esse trabalho desenvolvido há 10 anos e 88,5% não fez qualquer atualização no decorrer destes 10 anos;
  • Dos Municípios que trabalharam os Planos de acessibilidade, só 13% afetaram 0,5% do seu orçamento municipal para as acessibilidades. Ou seja, quase zero;
  • 80% das autarquias não têm nenhuma estrutura dedicada a esta matéria e não têm técnicos afetos às acessibilidades, o que revela que não o assumem como uma prioridade;
  • Outro dado grave que este inquérito informou, foi sabermos que, não obstante o Decreto-Lei 163/2006 de 8 de agosto exigir às Autarquias o envio anual ao Instituto Nacional para a Reabilitação – INR, de Relatórios com o estado da arte, 80% indicaram que nunca os enviaram;
  • No que diz respeito às boas práticas, 80% dos Municípios refere que não tem um único equipamento ou espaço público 100% acessível, nem certificado;
  • Quanto à fiscalização, as autarquias não a fazem, apenas validam os projetos quando são submetidos na gestão urbanística, que efetivamente também não tem técnicos formados para o efeito e sensíveis ao tema;
  • 70% das autarquias também sublinham que os seus técnicos não fazem formação nesta área;
  • As principais razões apontadas para o incumprimento do Decreto-Lei 163/2006 são a ausência de conhecimentos técnicos (35%) e falta de fiscalização (55%), entre outras;
  • O inquérito foi respondido por 1/3 dos Municípios.

Da análise aos resultados do inquérito, a Associação Salvador e o Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade entendem que se deve apostar nos seguintes aspetos:

  1. Elaborar Planos de Promoção de Acessibilidade nos Municípios, e a sua devida implementação e fiscalização;
  2. Afetar verbas específicas às acessibilidades e desenho universal;
  3. Implementar a fiscalização de forma ativa, com ações de rua para avaliar o incumprimento nesta área;
  4. Exigir a responsabilização aos técnicos que desenham e projetam os espaços construídos, podendo haver coimas pela negligência da não aplicação da Lei;
  5. Apostar na sensibilização e formação dos técnicos e da comunidade;
  6. Exigir que todos os projetos financiados pela comunidade europeia sejam acessíveis a todos nas suas múltiplas valências: espaço público, edifícios, transportes, comunicação e infoacessibilidade. A sua negligência será mais uma oportunidade perdida.

Em síntese, se para Paula Teles ”é obrigatório planear as acessibilidades, a montante dos projetos avulso, sem consequências nos sistemas de continuidade urbanos”, por outro, Salvador Mendes de Almeida afirma, por fim, que “não vamos, nem queremos, esperar mais 20 anos. Estas exigências têm de acontecer e tem de existir um controlo sobre todas estas medidas”. O Presidente da Associação Salvador reforça também que tudo isto só fará sentido se existir uma revisão ao Decreto-Lei 163/2006, revendo as suas inúmeras exceções, o que já está a ser planeado pela Secretaria de Estado.

O “Dia Nacional das Acessibilidades” é urgente!

Uma das principais causas do isolamento das pessoas com deficiência é a falta de acessibilidades. Este problema é um dos principais fatores de exclusão social das pessoas com deficiência motora. Os obstáculos, que são diários, existem dentro de casa, nos prédios, nos transportes, nos serviços públicos, nos restaurantes, nas praias.

Para caminharmos para um Portugal mais inclusivo, é necessário que a sociedade esteja envolvida e consciente e, por isso, a Associação Salvador considerar e apelar a que se assinale um Dia Nacional dedicado à Acessibilidade.

A criação do Dia Nacional das Acessibilidades tem o objetivo de demonstrar que a falta de acessibilidades é um dos principais fatores de exclusão social das pessoas com deficiência motora e a mudança é urgente.

Esta iniciativa levará a que as escolas do país possam dedicar um dia à sensibilização das crianças e jovens sobre a temática da deficiência e acessibilidade e irá incentivar as Autarquias e as restantes entidades envolvidas com temas de acessibilidade, a trabalharem de forma efetiva nesta área e a criarem iniciativas de sensibilização da comunidade para mudança de mentalidades. Com este dia, também, se destaca que o trabalho realizado na área das acessibilidades sirva de exemplo ao nível nacional.

A Lei das Acessibilidades, que prevê «a promoção de uma sociedade para todos através da eliminação de barreiras e da adopção de medidas que visem a plena participação da pessoa com deficiência», tem mais de 20 anos e pouco está feito. As mudanças são urgentes mas acontecem devagar.

A Associação Salvador tem sensibilizado e pressionado pelo cumprimento da lei, pela resposta das entidades responsáveis pelas acessibilidades, pelas mudanças efetivas. Contudo, ainda não é suficiente. É necessário falar sobre o tema, dar a conhecer a problemática, porque apenas quem passa pela situação, dos desafios que a falta de acessibilidades impõe, sente na pele as reais dificuldades.  

Acreditando na sociedade enquanto agente de mudança, a Associação Salvador faz o desafio ao país a juntar-se a este movimento!

Pode assinar a petição neste link: https://bit.ly/PeticaoDiaAcessibilidades

Em 2019, a Associação Salvador criou o “Dia das Acessibilidades”, um dia dedicado à sensibilização nesta área. Em duas edições, conseguiu envolver mais de 20.000 pessoas – crianças e jovens de todo o país, empresas, arquitetos, Câmaras Municipais, entre outros. Agora queremos que o dia seja celebrado no país inteiro e multiplicar estas 20.000 pessoas por muitas mais. São necessárias mais pessoas envolvidas para se poder chegar mais longe.

“É triste vivermos no século XXI, e ainda existirem passadeiras que não estão rebaixadas até mesmo em plena capital. Para ir a um restaurante tenho de ligar a vários até encontrar um acessível (e corro o risco de chegar lá e ter um degrau à entrada). Reservo uma noite de hotel em quarto adaptado, chego lá e está mal-adaptado e tenho de me vir embora.” – Salvador Mendes de Almeida

Com o apoio de todos será possível atingir 4000 assinaturas para que a petição seja obrigatoriamente discutida em plenário.

Por um Portugal Mais Acessível a todos, não fique de fora deste movimento!

20 Anos de Acessibilidades em Portugal


Paula Teles, Fundadora e Presidente do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade e Salvador Mendes de Almeida, Fundador e Presidente da Associação Salvador, têm o prazer de o(a) convidar, para o debate “20 ANOS DE ACESSIBILIDADES EM PORTUGAL”, a realizar esta quarta-feira, dia 17, pelas 18:00H.

Esta WEBCONFERÊNCIA será um debate entre políticos, técnicos e empresários sobre o Estado da Nação em matéria de Acessibilidades e Desenho Universal.
Como estão a ser desenhadas as cidades e vilas portuguesas para pessoas com mobilidade reduzida? O que fizeram os sucessivos governos nestes 20 anos? Quais as estratégias políticas e medidas da atual Secretaria de Estado da Inclusão? Como estão a reagir e a marcar na agenda política as autarquias? Que problemas e desafios têm pela frente nesta matéria? Como o planeamento da cidade e do território tem vindo a absorver e integrar esta matéria do direito universal à cidade nos instrumentos de planeamento? O que falta fazer? O que tem faltado fazer? Porque tem sido tão difícil implementar a legislação em vigor? Quais as prioridades? Por onde fazermos o caminho? Queremos cidades para todos ou só para alguns? E o Covid, de que forma afetou estas pessoas mais vulneráveis? Que conclusões a retirar para a agenda política do nosso país?
Estas e muitas perguntas serão colocadas neste webconferência.
Não perca. Seja um agente de mudança.”

Com a participação de:
Ana Sofia Antunes – Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência
Carlos Carreiras – Presidente da Câmara Municipal de Cascais
Idália Serrão – Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, 2005-2011
Paula Teles – residente do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade
Pedro Ribeiro da Silva – Coordenador da Rede Cidades e Vilas de Excelência
Ricardo Rio – Presidente da Câmara Municipal de Braga
Ricardo Teixeira – Empresário & Investidor
Salvador Mendes de Almeida – Fundador e Presidente da Associação Salvador
Sandra Macedo – Arquiteta do grupo de Acessibilidade da Ordem dos Arquitetos


INSCRIÇÃO

Faça a sua inscrição através do email

acessibilidades@associacaosalvador.com

Mediante inscrição, será enviado um link para assistir ao debate.

O Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade deseja a todos Boas Festas!

Este ano 2019, para além do trabalho contínuo na promoção de cidades e territórios mais amigos e inclusivos, em particular no âmbito do Projeto da Rede de Cidades e Vilas de Excelência, tivemos a honra de, integrados na sustentabilidade dos territórios, vermos premiado o nosso esforço no âmbito Prémio da Fundação Manuel António da Mota, o que muito nos honrou e nos estimulou ainda mais para continuar este trajeto!

Os novos desafios do Planeta, em matéria das alterações climáticas e o envelhecimento da população em particular, vão exigir soluções mais complexas mas concretas na descarbonização e humanização do território e temos a consciência que a nossa responsabilidade será acrescida nos próximos anos.

O ICVM continuará, desta forma, a trabalhar com muita determinação nesta luta de desenhar cidades e vilas mais acessíveis, mais amigas e mais seguras na certeza de um país mais democrático.

Grata a todos que cruzaram este ano connosco, em particular à FMAM, às autarquias e aos nossos associados e membros que nestes 15 anos têm depositada toda a confiança nesta Entidade que presido.

A todos, um feliz Natal e um excelente ano 2020!

Paula Teles, Presidente do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade

Paula Teles, presidente do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade, defende um “desenho novo” e uma “humanização” das cidades, no Urbano – Jornal de Notícias de 24 de novembro

Soluções tecnológicas para a diminuição do número de atropelamentos de peões e redução da velocidade dos automóveis em meio urbano são os temas abordados no artigo “A luta urbana para travas os zombies do telemóvel” no suplemento do Jornal de NotíciasUrbano, de 24 de novembro de 2019.

Paula Teles, presidente do Instituto de Cidades e Vilas com  Mobilidade, defende um “desenho novo” e  uma “humanização” das cidades. Relativamente aos viciados em telemóvel, afirma que “é um problema que não vamos conseguir resolver” e sustenta que as cidades “não têm o chão desenhado para o peão”. Ainda assim, acredita que “cada vez mais haverá um esforço para proteger o peão, mas é apenas no curto prazo”. A urgência, defende, é “a elaboração de planos de mobilidade urbana sustentável e não continuar a fazer as mudanças em função de ‘recados’ no Facebook, com medidas avulso”.

Paula Teles defende também um desenho de cidades “à cota zero”. ”É preciso pensar as zonas residenciais com menos obstáculos para os peões e mais para os automóveis, de modo a que estes sejam forçados a reduzir a velocidade”, explica.

Ler mais em jn.pt.

Cerimónia de Atribuição do Prémio Manuel António da Mota 2019 – Distinção Portugal Sustentável

No passado dia 24 de novembro, realizou-se a Cerimónia de Atribuição do Prémio Manuel António da Mota 2019, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto. O Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade e o projeto Cidades e Vilas de Excelência foram um dos dez finalistas selecionados desta edição.

Foi com muita honra que tivemos um lugar de destaque entre 10 finalistas selecionados pela Fundação Manuel António da Mota, depois da Fundação Gil ter recebido, merecidamente, o Primeiro Prémio.


Termos feito parte de um conjunto de entidades, quase todas IPSS, com trabalhos magníficos no terreno ligados sobretudo a pessoas em risco, foi para nós uma enorme honra.


Agradecemos à Fundação Manuel António da Mota na pessoa do Eng. António Mota e do seu Presidente Executivo Dr. Rui Pedroto, pelos estímulos sociais e culturais que imprimem, e ao meritíssimo júri, ter-nos colocado, nesta lista de tão preciosas entidades portuguesas, que lutam todos os dias por causas nobres!

Reconheço que o ICVM e o projeto Rede Cidades e Vilas de Excelência ainda está de certo modo “fora da caixa” da tipologia de finalistas de responsabilidade social tradicionalmente aceites no Prémio. Mas este ano, a sustentabilidade integrou-nos neste prémio, e este facto, vai dar-nos ainda mais força para continuarmos a trabalhar com muita determinação nesta luta de desenhar cidades e vilas mais acessíveis, mais amigas, a pessoas de mobilidade reduzida, que cada vez vão ser mais, face à inversão da pirâmide etária e uma esperança de vida cada vez maior!

O ICVM vai continuar a lutar por territórios municipais mais inclusivos através da sua participação contínua na sensibilização, formação e conhecimento em rede. Acreditamos que a responsabilidade social também está nesta área porque cremos que o direito à mobilidade é inequívoco para direitos de liberdade de cada um.


Grata à FMAM pelo prémio atribuído.


Grata a todos os nossos associados e membros que nestes 15 anos têm depositada toda a confiança nesta Entidade que presido.


Grata a toda a equipa ICVM que, connosco, trabalha diariamente neste projeto que jamais irá parar!

Paula Teles, Presidente do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade

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