ICVM Global

Paula Teles alerta no Jornal de Notícias para falhas no planeamento da segurança rodoviária nas cidades

Em declarações ao Jornal de Notícias, Paula Teles, Presidente do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade (ICVM), alertou para as fragilidades do desenho urbano das cidades portuguesas e para a necessidade de repensar a forma como o espaço público é planeado, de modo a reduzir os atropelamentos e melhorar a segurança rodoviária.

A análise surge no contexto de uma notícia publicada pelo Jornal de Notícias sobre a evolução dos atropelamentos em Portugal, que aponta para um aumento do número de casos registados em 2025, apesar de se ter verificado uma redução no número de vítimas mortais e feridos graves.

Segundo Paula Teles, muitas cidades continuam a apresentar um desenho urbano que privilegia o automóvel, contribuindo para níveis de velocidade incompatíveis com a segurança dos peões.

“Quanto mais temos níveis de velocidade, mais temos acidentes. A diferença entre circular a 30, 50 ou 70 quilómetros por hora pode determinar se um atropelamento resulta em ferimentos ou em morte”, afirmou.

Para a especialista, a resposta não passa apenas por campanhas de sensibilização ou reforço da sinalização, mas exige alterações físicas no espaço urbano que contribuam para reduzir naturalmente a velocidade dos veículos.

Entre as soluções apontadas estão passadeiras sobrelevadas, ruas mais estreitas, mobiliário urbano e uma maior redistribuição do espaço público para peões e bicicletas.

Outro dos problemas identificados prende-se com a existência de pontos negros de sinistralidade que permanecem durante anos sem intervenção, apesar de serem conhecidos.

“Passam décadas e os acidentes continuam a acontecer nos mesmos sítios”, sublinhou.

De acordo com Paula Teles, esta realidade reflete também a ausência de um planeamento sistemático da segurança rodoviária nas cidades.

“Deixou de se planear a segurança rodoviária em Portugal”, alertou, defendendo a necessidade de retomar instrumentos de planeamento local que permitam identificar e corrigir cruzamentos perigosos e pontos críticos.

A especialista considera que um planeamento urbano mais integrado e centrado nas pessoas é fundamental para reduzir atropelamentos e tornar as cidades mais seguras e sustentáveis.

Fonte: Jornal de Notícias