Notícia

Lua, a próxima paragem

Esta terça-feira, na coluna semanal do JN, Paula Teles com o artigo de opinião “Lua, a próxima paragem”

Há 57 anos, em 1969, nasci no auge da primeira viagem à Lua. Cresci entre imagens, histórias e sonhos de astronautas, alimentando a ambição de um dia ser uma deles. Mas o contexto, como tantas vezes acontece, não me permitiu seguir esse caminho. Ser astronauta era, e continua a ser, uma ambição distante, reservada a poucos. Ainda assim, nunca deixei de olhar para o céu com curiosidade, deslumbramento e vontade de sonhar.

Hoje, mais de 50 anos depois, a missão Artemis levou, com sucesso, quatro astronautas ao espaço. Não pisaram a Lua, mas trouxeram algo igualmente poderoso: uma nova perspetiva sobre a Terra. Vista de longe, a nossa casa revela uma beleza avassaladora, mas também sinais de fragilidade. Está viva, mas também está doente. E talvez seja essa a maior lição desta viagem: não apenas explorar o desconhecido, mas redescobrir aquilo que já temos e que tantas vezes negligenciamos.

Mais do que um avanço científico, tecnológico e de alta engenharia, estas missões são um convite à consciência. Num tempo em que tantas decisões são guiadas pela economia, talvez devêssemos recentrar o essencial: proteger o planeta que nos sustenta.

Que esta viagem espacial, a mais inclusiva e representativa da humanidade, ao levar a primeira mulher ao espaço, o primeiro astronauta negro e o primeiro não americano numa missão deste tipo, seja um impulso para continuarmos este caminho de conhecimento do lugar que ocupamos no universo. Porque cada passo em direção à Lua pode ser, afinal, um passo decisivo para cuidar melhor da nossa casa e garantir um futuro mais consciente para as próximas gerações.

E quem sabe se voltamos à Lua para, finalmente, perceber melhor a Terra.

Paula Teles com o artigo de opinião “Lua, a próxima paragem” na coluna semanal do JN.