Notícia

Sinais não salvam vidas

Esta terça-feira, no JN, a CRÓNICA SEMANAL de Paula Teles “Sinais não salvam vidas”

Acabou de entrar em consulta pública a Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária – Visão Zero 2030. Entre as medidas propostas está a redução da velocidade para 70 km/h fora das localidades e para 30 km/h nas zonas urbanas onde coexistem peões e veículos.

Concordo sem hesitações. Em Portugal, mais de 40% dos atropelamentos acontecem nas passadeiras. A 30 km/h a sobrevivência de um peão é 90%, o que já não acontece se for a 50 km/h. Por isso, as Zonas 30 são uma decisão correta e alinhada com a Visão Zero.

Mas não nos iludamos. O problema da segurança não se resolve aumentando as infrações.
Há anos que repito a mesma ideia: sinalização e uns baldes de tinta não substituem a infraestrutura. Estaríamos a ignorar o que a engenharia de tráfego nos ensina. Um dos princípios básicos é o desenho urbano: quando o chão da cidade não é intuitivo para a função que deve desempenhar, está mal desenhado. E quando uma rua parece uma estrada, os condutores conduzem como se estivessem numa estrada.

A Visão Zero exige coragem para mudar o paradigma, implementando faixas mais estreitas, passadeiras elevadas, cruzamentos seguros, mobiliário urbano e medidas de acalmia de tráfego que façam o condutor perceber, de forma intuitiva, que está num espaço urbano onde se exige menos velocidade. Penso que é chegado o momento de dar o passo seguinte: deixarmos de pensar a segurança, apenas com o Código da Estrada, e começarmos a construir o “Código da Rua”.

Que a implementação destas importantes ações anunciadas surjam depois do redesenho de algumas das infraestruturas rodoviárias. Caso contrário, estaremos apenas a mudar os sinais. E sinais, por si só, não salvam vidas.

Paula Teles com o artigo de opinião “Sinais não salvam vidas” na coluna semanal do JN.