Esta terça-feira, no JN, a CRÓNICA SEMANAL de Paula Teles “Pensar além da IA”
Um dos maiores desafios da educação na próxima década, será ensinar as novas gerações a utilizar a inteligência artificial sem perderem a capacidade de pensar por si próprias. A grande questão já não é apenas o que ensinar, mas como ensinar e que ferramentas utilizar, sobretudo nos primeiros anos de vida de uma criança, quando o cérebro constrói as bases do raciocínio, da criatividade e da autonomia.
Na escola, a tecnologia entrou sem pedir licença. Trouxe rapidez, mas também a tentação de encurtar o caminho. E o caminho, na educação, é tudo: escrever à mão, errar, voltar atrás, pensar devagar. Ainda, fazer trabalhos manuais diversos. É aí que a criança aprende a construir ideias.
A tecnologia deve ampliar a inteligência, nunca substituí-la. Quando as respostas chegam antes da reflexão, perde-se o processo que verdadeiramente ensina: experimentar, corrigir, melhorar, relacionar ideias e conhecimentos diversos e, descobrir soluções. É nesse percurso que se desenvolvem o pensamento crítico e a criatividade.
Os sinais já são visíveis. Muitos alunos e jovens profissionais revelam dificuldade em criar, inovar ou resolver problemas novos. Sabem encontrar informação, mas têm mais dificuldade em transformá-la em conhecimento capaz de resolver novos problemas. Faltou-lhes tempo para pensar, para processar e para amadurecer ideias. E é precisamente essa capacidade que o futuro mais exigirá.
Confesso que estou deveras preocupada com este tema. O verdadeiro desafio não será apenas ensinar as crianças a utilizar a IA, mas a desenvolver capacidade de pensar sem depender dessa ferramenta. Porque, no fim, a tecnologia mais poderosa continuará a ser a inteligência humana.
Fonte: Jornal de Notícias
Paula Teles com o artigo de opinião “Pensar além da IA” na coluna semanal do JN.
