Esta terça-feira, no JN, a CRÓNICA SEMANAL de Paula Teles “Setembro, outro janeiro”
Há anos que começam em janeiro. Outros parece que nunca chegam verdadeiramente a começar.
Este, por vezes, dá-me essa sensação. Entre guerras que persistem, instabilidade geopolítica, problemas energéticos, alterações climáticas, uma economia mundial e europeia fragilizada, e, em Portugal, ainda muitos projetos a pouca velocidade, há dias em que sinto que as coisas não estão propriamente a correr bem.
Talvez precisássemos de carregar no botão e reiniciar o ano.
É por isso que gosto tanto de setembro. Talvez venha da infância, quando era este o mês dos cadernos novos, dos livros por estrear, das cores dos lápis afiados e do reencontro com os colegas. O verdadeiro ano começava ali. Havia horários e professores novos e aquela sensação maravilhosa de que tudo estava novamente por acontecer.
Ainda hoje setembro me sabe a recomeço.
Regressamos das férias, as escolas abrem, as empresas recompõem as equipas, as cidades recuperam o movimento e voltamos aos projetos que ficaram suspensos. Mas este ano gostava que setembro fosse mais do que uma rentrée.
Gostava que fosse janeiro para muitos. Para quem começou mal o ano. Para quem perdeu, adiou ou não conseguiu arrancar. Para as empresas em dificuldades, para as famílias que fazem contas, para os projetos que ficaram pelo caminho. E, numa escala maior, para um mundo que precisa urgentemente de reencontrar caminhos de paz, solidariedade e cooperação entre os povos.
Ainda temos quatro meses. Ainda há tempo para corrigir, recuperar, reconstruir e fazer acontecer. Talvez setembro seja isso: percebermos que um ano não tem de ficar decidido pela forma como começou.
Viva setembro! A nossa última oportunidade de reiniciar.
Fonte: Jornal de Notícias
Paula Teles com o artigo de opinião “Setembro, outro janeiro” na coluna semanal do JN.
