Esta terça-feira, no JN, a CRÓNICA SEMANAL de Paula Teles “O elétrico 22 voltou”
Há boas notícias que não precisam de ser grandes para fazer uma cidade feliz. O regresso do elétrico 22 às ruas do Porto é uma delas.
O Porto cresceu com os elétricos. Durante décadas, percorreram ruas e praças, vencendo a difícil morfologia da cidade e aproximando pessoas e lugares. Depois, como aconteceu em tantas cidades, o automóvel ganhou espaço e muitos carris ficaram no pavimento, como linhas de uma história que fomos apagando.
Mas há memórias que uma cidade não deve perder. O elétrico é uma delas. Pelo som sobre os carris, pela madeira, pela cor, pelo ritmo com que atravessa as ruas e até pela memória dos rapazes que neles se penduravam. É transporte, é paisagem, património e identidade. É um pedaço da alma do Porto em movimento. Há imagens e sons que pertencem de tal forma a uma cidade que, quando regressam, parece que ela volta a respirar.
Por isso, ver novamente o 22 entre o Carmo e a Batalha é muito mais do que recuperar uma linha. É devolver à cidade uma parte de si própria e às novas gerações a possibilidade de conhecer e viver essa memória.
Num tempo em que tantas notícias nos inquietam, sabe bem celebrar uma boa notícia. E desejar que este regresso seja apenas uma semente.
Os carris que ainda atravessam algumas ruas não têm de ser apenas memória. Podem inspirar uma reflexão sobre o futuro da rede de elétricos, integrada numa mobilidade moderna, sustentável e plural.
O Porto foi pioneiro na mobilidade elétrica. Talvez possa voltar a olhar para essa história não apenas com nostalgia, mas como inspiração para o futuro.
Porque uma cidade também avança quando sabe recuperar o melhor do seu passado.
Bem-vindo, 22. Que venham outros atrás de ti.
Fonte: Jornal de Notícias
Paula Teles com o artigo de opinião “O elétrico 22 voltou” na coluna semanal do JN.
