Esta terça-feira, no JN, a CRÓNICA SEMANAL de Paula Teles “Aeroportos no limite”
Viajar de avião tornou-se, demasiadas vezes, uma prova de resistência. Aeroportos cheios, filas intermináveis, voos atrasados ou cancelados e milhares de pessoas sem saber quando, ou sequer como, chegarão ao destino.
O crescimento do turismo, a democratização das viagens e a força das companhias low cost multiplicaram passageiros e voos. Mas há também quem viaje porque trabalha. Quem tem reuniões, compromissos, horários a cumprir procura, naturalmente, soluções economicamente suportáveis. Uns e outros encontram hoje infraestruturas próximas da saturação e um serviço que parece degradar-se à medida que a procura aumenta. Isto é visível à escala global.
Quando um voo é cancelado à meia-noite, depois de horas de espera, o problema deixa de ser apenas de mobilidade. É uma família com crianças sem saber onde dormir. É alguém que perde uma reunião no dia seguinte. São centenas de pessoas à procura de uma alternativa que muitas vezes não existe, para não falar do stresse dos telemóveis quando começam a perder as baterias.
E há um limite que não podemos ignorar: o humano. Tripulações também sujeitas a horários, tempos máximos de trabalho e cansaço. A tudo isto juntam-se condições meteorológicas adversas que aumentam atrasos e desorganizam operações inteiras.
Talvez tenha chegado o momento de discutir seriamente se alguns aeroportos e modelos de operação não atingiram já o seu limite. Repensar fluxos sazonais, capacidade, regras e alternativas.
Porque não é apenas uma questão de capacidade aeroportuária. É a forma como estamos a tratar quem viaja dentro de um sistema de mobilidade saturado. Porque viajar não pode deixar de ser, também, cuidar de quem viaja.
Fonte: Jornal de Notícias
Paula Teles com o artigo de opinião “Aeroportos no limite” na coluna semanal do JN.
