Notícia

Comunidades que cuidam

Esta terça-feira, no JN, a CRÓNICA SEMANAL de Paula Teles “Comunidades que cuidam”

Num mundo cada vez mais individualista, há pessoas que vivem para os outros. Sem protagonismo, sem remuneração, sem esperar reconhecimento. Porque cuidar é uma responsabilidade coletiva.

A Liga Portuguesa Contra o Cancro celebra 85 anos. Uma história de solidariedade construída por voluntários que dão o seu tempo a uma causa maior.

São os soldados do terreno, os olhos e o rosto de uma instituição que recebe da sociedade para ajudar quem precisa. As caixas dos peditórios transportam mais do que donativos: esperança, prevenção, rastreios e oportunidades de vida.

Em 2025, com 7 mil voluntários e 11 mil caixas, esta mobilização ajuda a realizar rastreios que já chegaram a 330 mil mulheres. O cancro continua a roubar vidas e a marcar famílias. Nenhum de nós está imune. Nos dias 31 de outubro a 1 de novembro, quando os voluntários saírem à rua, apelo a todos que contribuam, participem, ofereçam tempo. Cada gesto pode ajudar a salvar uma vida. Amanhã podemos ser nós a precisar dessa mão estendida.

Há algo que os números nunca medirão: o humanismo de quem oferece a sua vida aos outros. A minha mãe é uma dessas pessoas. Há mais de 20 anos que serve esta causa. Faça chuva ou sol, esteja melhor ou pior de saúde, lá está ela. Com a mesma determinação e generosidade. E se me apanha nos dias do peditório, coloca-me logo uma caixa ao pescoço. Nem me dá hipótese de dizer não!

Hoje, quero agradecer-lhe. E, na sua pessoa, homenagear todos os voluntários que cuidam silenciosamente de quem precisa. Porque a Liga Portuguesa Contra o Cancro somos todos nós. Ou, pelo menos, devíamos ser. A solidariedade não se proclama. Pratica-se. E o voluntariado é uma das suas mais belas expressões.

Fonte: Jornal de Notícias

Paula Teles com o artigo de opinião “Comunidades que cuidam” na coluna semanal do JN.