Notícia

Chega de gastar dinheiro

Esta terça-feira, na coluna semanal do JN, Paula Teles com o artigo de opinião “ Chega de gastar dinheiro”

Instalou-se em Portugal a febre dos BRT- Bus Rapid Transit. Tudo agora nasce sobre rodas, com siglas inglesas, corredores coloridos e discursos políticos embalados de modernidade. De repente, qualquer autocarro articulado, em canal próprio, aparece apresentado como se fosse um metro. E é aqui que começa o equívoco, ou talvez a encenação.

Convém dizer o óbvio: um BRT não é um metro. Nunca foi. E não há campanha de comunicação capaz de alterar essa realidade técnica.

Sim, ambos devem ter canal dedicado e melhorar tempos de viagem. Sim, ambos ajudam na descarbonização e na transferência modal. Mas as semelhanças acabam depressa. O metro é um sistema de elevada capacidade, preparado para responder a grandes volumes de procura, adaptando frequências e adicionando carruagens conforme a necessidade. Já o BRT, por mais moderno que pareça, continua limitado pela lógica rodoviária.

Em cidades densas de procura elevada, o metro continua a ser a solução estrutural, mas custa muito dinheiro. E como não há capacidade financeira, nem coragem política, descobriram-se milagres sobre rodas.

Então multiplicam-se os BRT. Uns financiados pelo Estado, outros arrancados a ferros dos orçamentos municipais, numa competição nacional da faixa BUS premium. Muitas vezes sem articulação metropolitana séria, mas sempre acompanhados de 3D futuristas e inaugurações solenes.

E atenção: melhorar corredores BUS é importante. O problema não está na solução. Está no embrulho político que tenta vender uma resposta intermédia como se fosse uma revolução estrutural.

E assim se vai fazendo a mobilidade em Portugal: entre fundos comunitários, marketing urbano e milagres modernos sobre pneus.

Paula Teles com o artigo de opinião “Chega de gastar dinheiro” na coluna semanal do JN.