Esta terça-feira, na coluna semanal do JN, Paula Teles com o artigo de opinião “ A cidade vive das funções”
A proposta do Presidente da Câmara Municipal do Porto de enterrar a via AEP e criar um Distrito Económico do Norte representa uma visão ambiciosa para o futuro da cidade e merece reconhecimento. Tudo o que contribua para descarbonizar, humanizar e devolver espaço urbano às pessoas deve ser visto como um sinal positivo. Além disso, esta é uma das últimas grandes reservas estratégicas de território do Porto, um espaço demasiado valioso para continuar reduzido a armazéns e logística pouco qualificada. A cidade precisa deste território para voltar a ser cidade.
Mas talvez seja importante refletir sobre prioridades. Antes de investir em enterrar a conhecida “via rápida da AEP”, parece mais urgente intervir no território envolvente, revitalizando uma zona descaracterizada há décadas. Esse é o verdadeiro desafio: criar uma centralidade urbana e económica, capaz de integrar habitação, comércio, serviços, empresas, espaços verdes e vida urbana qualificada. Uma cidade compacta como o Porto precisa de funções urbanas fortes, porque são as funções que fazem cidade e não apenas as vias de circulação.
Só depois de consolidada essa nova cidade fará sentido reavaliar o papel da mobilidade naquele corredor. Até porque o contexto metropolitano poderá alterar-se significativamente nos próximos anos. A reorganização da VCI, novas ligações norte-sul e mudanças nos padrões de mobilidade poderão alterar, e até reduzir, parte do tráfego que hoje atravessa aquele eixo. Por isso, mais do que discutir já essa infraestrutura, importa transformar este território, garantindo que cada investimento responde às necessidades futuras da cidade e não apenas às urgências do presente.
Paula Teles com o artigo de opinião “A cidade vive das funções” na coluna semanal do JN.
