Notícia

Cidades de refúgio climático

Esta terça-feira, no JN, a CRÓNICA SEMANAL de Paula Teles “Cidades de refúgio climático”

Durante décadas, desenhámos cidades para os automóveis. O século XXI exige-nos que as desenhemos para sobreviver.

Portugal atravessa mais um verão de temperaturas extremas. A Europa é, hoje, o continente que aquece mais rapidamente, a um ritmo cerca de duas vezes superior à média global. Nas cidades, as ilhas de calor agravam este fenómeno, enquanto milhares de pessoas morrem todos os anos devido às ondas de calor, sobretudo as mais vulneráveis, como idosos e crianças.

Perante esta realidade, os refúgios climáticos deixaram de ser uma opção para se tornarem uma necessidade. Jardins, parques, florestas urbanas, margens ribeirinhas, bibliotecas e outros equipamentos públicos devem formar uma rede de espaços frescos e acessíveis para proteger a população.

Infelizmente, durante anos, foi moda transformar jardins em praças secas, revestidas a betão, pedra ou betuminoso. Criaram-se espaços elegantes, mas incapazes de acolher pessoas no verão. Praças bonitas para fotografar, mas vazias para viver.

Também a habitação agrava este desafio. Casas cada vez mais pequenas, muitas sem varandas e com fraco desempenho térmico, tornam-se armadilhas durante as ondas de calor.

Sabemos, porém, qual é o caminho: reduzir emissões através da mobilidade sustentável e devolver a natureza às cidades. A estrutura verde e azul arrefece as cidades, melhora a qualidade do ar e aumenta a resiliência climática. Uma árvore pode reduzir a temperatura até 15 graus nas zonas sombreadas e absorver dióxido de carbono.

Porque, perante um clima cada vez mais extremo, uma árvore pode valer mais do que um aparelho de ar condicionado. Este refresca uma casa. Uma árvore protege e refresca uma cidade.

Fonte: Jornal de Notícias

Paula Teles com o artigo de opinião “Cidades de refúgio climático” na coluna semanal do JN.