Notícia

O preço do tempo

Esta terça-feira, no JN, a CRÓNICA SEMANAL de Paula Teles “O preço do tempo”

Durante anos, ouvimos dizer que o preço era um dos principais obstáculos à utilização dos transportes públicos. Por isso, saúdo a decisão de Pedro Duarte de tornar gratuitos os transportes públicos para os residentes no Porto. Politicamente, considero-a uma medida corajosa, socialmente justa e um sinal claro de aposta numa mobilidade mais sustentável.

Porém, a engenharia obriga-nos a olhar para a evidência. E a evidência mostra que a gratuitidade, por si só, não tem gerado um aumento significativo da utilização dos transportes públicos. A razão é simples. As pessoas não trocam apenas pelo preço. É no fator tempo que está a decisão. Hoje, o cidadão quer saber exatamente o tempo da viagem.

É por isso que esta medida, isoladamente, não chega. É urgente atuar sobre o excesso de automóveis, redistribuir o espaço público, criar muitos mais corredores BUS contínuos e dar prioridade efetiva aos transportes coletivos. De pouco servirá reforçar a frota da STCP ou da UNIR se os autocarros continuarem presos no trânsito. O desafio na mudança modal não é apenas ter mais autocarros. É fazê-los circular mais depressa. É apostar na frequência, na pontualidade, no conforto e, claro, na segurança.

Os próximos meses serão decisivos. Desejo que esta seja apenas a primeira de uma estratégia maior na mobilidade da cidade. Redistribuir o espaço público e dar prioridade ao transporte coletivo será o verdadeiro teste. Se assim for, o Porto ganhará muito mais do que transportes públicos gratuitos. Ganhará tempo. Porque cidade eficiente não é a que alberga mais carros. É a que devolve tempo às pessoas.

Fonte: Jornal de Notícias

Paula Teles com o artigo de opinião “O preço do tempo” na coluna semanal do JN.