Esta terça-feira, no JN, a CRÓNICA SEMANAL de Paula Teles “O Bessa que nos une”
Há lugares que deixam de pertencer apenas aos seus proprietários. Com o passar das décadas, tornam-se parte da memória coletiva de uma cidade. O Estádio do Bessa é um desses lugares.
Muito para além do futebol, aquele espaço representa mais de um século de história. Desde 1903, o Boavista faz parte da identidade do Porto e foi um dos primeiros clubes nacionais. Por ali passaram gerações de atletas, treinadores, dirigentes, funcionários e milhares de famílias que fizeram do clube uma escola de desporto, de cidadania e de valores. Muitos cresceram naquelas bancadas e guardam ali uma parte da sua história.
As cidades não vivem apenas de ruas, edifícios e infraestruturas. Vivem também dos lugares onde se constrói a sua memória. Se há regras para proteger edifícios históricos, também deve haver formas de preservar equipamentos cujo valor ultrapassa largamente o seu valor patrimonial ou imobiliário. O Bessa é um desses casos.
É verdade que o problema é económico. Mas, em última instância, é também um problema político e cívico. Não está em causa apenas o futuro de um clube, mas o de um lugar que faz parte da identidade coletiva. Que este impasse não termine na demolição do estádio para dar lugar a mais um conjunto de edifícios avulsos, fragmentados e monofuncionais.
Está na hora de a cidade se mobilizar. É precisamente nestes momentos que se mede a ambição de uma cidade. Que se reúnam instituições, empresários, adeptos, políticos e a sociedade civil para encontrar uma solução à altura da história do Boavista e da importância do Bessa para o Porto.
Porque há patrimónios que não unem apenas adeptos. Unem uma cidade inteira. E o Bessa é um deles.
Fonte: Jornal de Notícias
Paula Teles com o artigo de opinião “O Bessa que nos une” na coluna semanal do JN.
