Esta terça-feira, no JN, a CRÓNICA SEMANAL de Paula Teles “Agosto, ir e voltar”
Agosto tem qualquer coisa de mágico. É o mês em que o tempo abranda, as famílias se reencontram e a vida recupera um ritmo mais humano. As crianças trocam os horários pelas brincadeiras, o mar substitui a pressa, as noites prolongam-se em conversas demoradas e voltamos a descobrir o prazer de caminhar, de respirar fundo e de simplesmente estar.
É o mês das férias, dos reencontros, do descanso e das pequenas alegrias que tantas vezes a rotina nos rouba. Dias de praia, de campo, de montanha ou de aldeia. Dias para ganhar tempo, recuperar energia e construir memórias em família e entre amigos, saboreando, por vezes, os nossos dotes culinários sem tempo durante o ano e que nos acompanharão muito para além do verão.
Mas agosto é também o mês em que milhões de pessoas se fazem à estrada. E, infelizmente, continua a ser um dos períodos em que mais vidas se perdem em acidentes de viação. A velocidade, o álcool, o cansaço, a distração ou a falsa confiança de quem conhece bem o percurso continuam a transformar viagens de felicidade em histórias de dor.
Na mobilidade, sabemos que a segurança nunca é um acaso. É o resultado de escolhas responsáveis, de pequenos gestos e de decisões tomadas em cada quilómetro. Vale sempre a pena chegar cinco minutos mais tarde se isso significar chegar.
Que este seja um mês de liberdade, de descanso e de encontro. Mas que seja também um mês de prudência. Porque, no fim de cada viagem, há sempre alguém à nossa espera: um filho, um pai, uma mãe, um amigo ou um avô. E nenhum destino vale mais do que esse abraço.
Porque as melhores férias são aquelas de que todos regressam. E o melhor destino é voltar. Boas férias.
Fonte: Jornal de Notícias
Paula Teles com o artigo de opinião “Agosto, ir e voltar” na coluna semanal do JN.
