Notícia

Quando a estrada mata

Esta terça-feira, no JN, a CRÓNICA SEMANAL de Paula Teles “Quando a estrada mata”

Na semana passada, um menino de 10 anos morreu atropelado numa passadeira, no distrito de Leiria. Em Lousada, um jovem de 15 anos perdeu a vida depois de um despiste numa trotinete. Duas crianças. Duas famílias. Duas vidas interrompidas. Casos que nos deixam sem ar.

E, perante estas tragédias, voltamos a perguntar: quantas mortes serão necessárias para mudarmos verdadeiramente a forma como desenhamos as estradas que não são ruas?

As trotinetes exigem medidas urgentes. Regras claras, velocidades adequadas, fiscalização, proteção e espaços seguros para circular. Não podemos continuar a assistir à sua utilização sem enquadramento suficiente, sobretudo pelos mais jovens.

Mas cuidado. A discussão sobre as trotinetes não pode desviar-nos do problema maior. Continuamos a morrer demasiado nas estradas portuguesas e muitos desses acidentes acontecem em meio urbano. Não podemos discutir apenas o veículo. Temos de discutir a estrada e tomar medidas.

Uma passadeira pintada no chão não protege, por si só, uma criança. Um sinal de 30 km/h também não abranda um automóvel. É o desenho que tem de induzir velocidades mais baixas, proteger quem se desloca. E é urgente fiscalização, sem perdão! Precisamos de transformar estradas em ruas onde a cidade exige que sejam espaços mais suaves, seguros e humanos, onde a velocidade deixe de comandar o desenho urbano.

O Governo, a ANSR, os municípios e todos os cidadãos têm de ter responsabilidade e assumir a segurança rodoviária como uma verdadeira emergência nacional.

Porque nenhuma morte na estrada pode ser apenas mais um número numa estatística. E quando são os nossos jovens a morrer, o silêncio torna-se ainda mais insuportável.

Fonte: Jornal de Notícias

Paula Teles com o artigo de opinião “Quando a estrada mata” na coluna semanal do JN.