
Discurso de encerramento realizado pelo coordenador do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade, Dr. Pedro Ribeiro da Silva.
A absoluta necessidade de planeamento das açÔes, com realce para os Planos de Mobilidade Urbana SustentĂĄvel, de uma maior formação dos tĂ©cnicos em matĂ©ria de projeto e acompanhamento das intervençÔes urbanas de acessibilidade universal, um maior financiamento para as açÔes tendo em conta o direito ao espaço pĂșblico que esta em causa e uma fiscalização efetivamente ativa, continuada e persistente que faça aplicar a legislação, foram as principais conclusĂ”es da ConferĂȘncia â25 anos da Lei das Acessibilidades em Portugalâ.
Esta ConferĂȘncia, realizada pelo Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade, no passado dia 6, em contexto da Rede IbĂ©rica de Cidades e Vilas que Caminham, no auditĂłrio da Fundação Manuel AntĂłnio da Mota, Porto, contou com a presença de instituiçÔes governamentais, autarquias locais e organizaçÔes da sociedade civil.
A abertura teve o contributo do Vereador da Mobilidade da CĂąmara Municipal do Porto, Pedro Baganha, que enquadrou historicamente a ação na cidade ao longo do tempo e dos seus planos urbanĂsticos e frisou o empenho da autarquia no desenvolvimento de açÔes de acessibilidade universal.
Paula Teles, presidente do ICVM, referiu a importùncia da lei para se olhar o futuro e destacou o relevante papel do planeamento das açÔes como forma de garantir o seu sucesso.
Lia Ferreira, em representação institucional da Secretåria de Estado da Inclusão, fez, principalmente, alusão às açÔes governativas realizadas e a realizar num futuro próximo.
A SecretĂĄria de Estado da Reabilitação (2005-2011), IdĂĄlia SerrĂŁo, em conferĂȘncia intitulada ââA Primeira Lei e a Necessidade de RevisĂŁo: Atos e ConsequĂȘnciasâ desenvolveu os pressupostos da lei e o caminho de elaboração que teve no momento em que se encontrava no governo e fez um aprofundado balanço da sua execução.
Na mesa redonda âQue se EstĂĄ a Fazerâ moderada pelo jornalista Abel CoentrĂŁo e com a intervenção do Coordenador da Estrutura de MissĂŁo para a Promoção das Acessibilidades, Rodrigo Ramos, o Presidente do Instituto Nacional para a Reabilitação, Humberto Santos, o Presidente da CĂąmara Municipal de Palmela, Ălvaro Amaro, e a Presidente do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade, Paula Teles, debateram de forma efetiva as problemĂĄticas em causa nesta matĂ©ria.
O presidente de Palmela, ilustrou a sua participação, que serviu de mote inicial ao debate, com imagens da intervenção no Castelo de Palmela para mostrar que, na acessibilidade, nĂŁo podem existir impossĂveis.
A parte da tarde, iniciou-se com o painel âCidades Sentidas: Testemunhos de Vida Sem Acessibilidadesâ em que esteve presente o Ex-CampeĂŁo ParalĂmpico PortuguĂȘs, Carlos Lopes, e a Mentora de Acessibilidades da Associação Salvador, Manuela Oliveira, referindo, cada um deles, inĂșmeros exemplos de situaçÔes que poderiam ser ultrapassadas se houvesse uma verdadeira e persistente fiscalização e sensibilização.
Roberto Mera, Vice-Presidente e Vereador da Mobilidade do Concelho de Ponteareas, apresentou as boas prĂĄticas de Desenho Urbano e Mobilidade na conferĂȘncia internacional. Mostrou como, com determinação polĂtica e um programa e plano de execução de açÔes se pode inverter a complexidade de muitas ĂĄreas urbanas, tornando-as acessĂveis e aproveitando para realizar a descarbonização da cidade. Mostrou ainda que, se algumas açÔes carecem de investimento relativamente avultado, existem muitas outras em que os prĂłprios serviçÔes municipais podem agilizar intervençÔes para tornar a cidade mais acessĂvel.
Para evitar medidas que nĂŁo se mostrem como as mais adequadas e para que haja um mĂnimo de critĂ©rios uniformes de intervenção no espaço pĂșblico LuĂs Pires, SecretĂĄrio da ComissĂŁo TĂ©cnica 177 do IPQ, apresentou, no painel âA ImportĂąncia da Certificação da Acessibilidadesâ, as normas tĂ©cnicas jĂĄ aprovadas, para Portugal e para a Europa. Mais referiu que nĂŁo adianta estar a inventar o que jĂĄ estĂĄ inventado.
O Ăltimo painel esteve a cargo das autarquias de PortimĂŁo, atravĂ©s do seu Vereador da Mobilidade e do Porto, atravĂ©s do arquiteto chefe de divisĂŁo do Espaço PĂșblico. O primeiro referiu a importĂąncia dos percursos acessĂveis que PortimĂŁo jĂĄ desenvolveu hĂĄ anos atrĂĄs e que foram agora retomados em novas ĂĄreas urbanas. No Porto, as intervençÔes no espaço pĂșblico tem jĂĄ como missĂŁo JosĂ© Pedro Cardoso, dotĂĄ-los de acessibilidade universal.
A sĂntese final esteve a cargo de Pedro Ribeiro da Silva, coordenador da Rede de Cidades e Vilas que Caminham e o encerramento realizado por Paula Teles, presidente do ICVM que salientou a importĂąncia do encontro e a articulação de todos os atores na construção do direito universal ao espaço pĂșblico e o trabalho em Rede, nomeadamente na Rede de Cidades e Vilas que Caminhamâ, para tornar mais eficaz e cĂ©lere as intervençÔes no espaço pĂșblico.

