Notícia

Porto vive em mais ruas

Esta terça-feira, na coluna semanal do JN, Paula Teles com o artigo de opinião “ Porto vive em mais ruas”

O Porto tem vindo a afirmar-se como um verdadeiro laboratório de transformação urbana. A mais recente expansão das Zonas de Acesso Automóvel Condicionado confirma essa trajetória: áreas já consolidadas como o Centro Histórico da Ribeira e Santa Catarina estendem-se agora às Galerias de Paris, à Fábrica e a Avis, à Livraria Lello e prolongam-se até Cedofeita.

Mais do que uma medida de mobilidade, trata-se de uma estratégia de cidade. Ao condicionar o acesso automóvel a residentes, comerciantes, emergência e serviços públicos, o Porto não está apenas a reduzir emissões. Está a gerir a intensidade urbana em zonas de elevada pressão turística e funcional, procurando devolver equilíbrio, segurança e conforto ao espaço público.

E, quando o espaço muda, muda também a forma como a cidade é vivida. A rua volta a ser lugar de permanência, e não apenas de passagem. As pessoas caminham, param, encontram-se. O comércio tradicional ganha nova energia, sustentado pela proximidade e pela vida que regressa à rua. A cidade deixa de estar fechada em centros comerciais e volta a acontecer ao ar livre, à escala humana.

Mais, esta mudança transforma comportamentos. Exige coragem política, mas gera apropriação coletiva. Quando os cidadãos percebem o valor destas ações, fazem-nas suas. E isso já é visível.

O Porto demonstra que é possível mudar. E mostra que essa mudança não só funciona, como é desejada. Talvez por isso, o maior ensinamento esteja na coragem de a implementar. Um exemplo que outras cidades portuguesas, ainda presas ao receio de retirar espaço ao automóvel, não podem continuar a ignorar. Porque, no fim, uma cidade viva é aquela que se vive na rua.

Paula Teles com o artigo de opinião “Porto vive em mais ruas” na coluna semanal do JN.