Notícia

Cidades-ginásio ao ar livre

“Durante muito tempo, convencemo-nos de que a saúde tinha um lugar próprio: um ginásio, fechado, com mensalidade e música alta. Como se o corpo só pudesse mexer-se dentro de um caixote. Mas há algo profundamente estranho, quase triste, em correr para um espaço artificial, quando lá fora existe sol, vento, vida.

Aos novos autarcas, deixo uma recomendação: as cidades contemporâneas precisam de assumir uma nova função, serem espaços de saúde. E isso começa no mais simples: permitir que as pessoas caminhem, corram, pedalem e se mexam com naturalidade no espaço público, sem medo e sem obstáculos. O exercício físico não deve ser um luxo, nem um “evento” que exige tempo extra. Deve estar integrado no nosso bairro e no chão da cidade.

Quando desenhamos passeios confortáveis, ciclovias seguras, parques acessíveis, zonas verdes com espaços de treino, perto de casa, a cidade transforma-se num ginásio ao ar livre. Mas é mais do que isso: é um ginásio emocional, porque nos devolve o prazer de estar fora. É um ginásio mental, porque o movimento ao ar livre reduz stress e ansiedade. E é um ginásio geracional, porque permite que crianças e idosos façam exercício no mesmo lugar, mas, cada um ao seu ritmo.

O ar livre permite apanhar sol e a vitamina D, tão importante, pode ser absorvida enquanto caminhamos, brincamos ou simplesmente ocupamos a cidade. E, quando há árvores, sombra e natureza, o espaço público torna-se habitável, convidando as pessoas a ficar e a voltar.

No fundo, uma cidade bem desenhada pode ser um ginásio ao ar livre: gratuito, democrático e sempre disponível. Uma cidade que não exige inscrição. Uma cidade que não fecha. Uma cidade que sabe cuidar”.

Paula Teles com o artigo de opinião “Cidades-ginásio ao ar livre” na coluna semanal do JN.